O Partido dos Trabalhadores afirmou nesta terça-feira (29) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se referia a exames ginecológicos preventivos ao dizer que mulheres aprendem a “tomar toque desde pequenas”. A declaração, dada em comício em Belém (PA), gerou críticas da oposição.
Segundo o partido, a fala foi tirada de contexto por integrantes do “campo bolsonarista”. “O Presidente Lula obviamente se referiu a exames ginecológicos preventivos que, culturalmente, fazem parte da rotina da saúde da mulher, desde jovem. O homem, pela predominância de uma cultura ainda machista, resiste a exames urológicos preventivos”, afirmou o PT em nota.
Lula deu a declaração na segunda-feira (28), durante comício na capital paraense. O presidente falava sobre a realização da 1ª cirurgia robótica de próstata no Pará e sobre a resistência de homens a exames relacionados à próstata. “Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeitos”, declarou.
A fala provocou críticas de integrantes da oposição. O PL afirmou que a declaração era “repugnante” e disse que Lula havia desrespeitado mulheres. Na nota, o PT relacionou a reação à disputa eleitoral e a acusações contra Flávio Bolsonaro. “Por desespero diante dos resultados das últimas pesquisas e para tentar tirar o foco da série de denúncias sobre Flávio Bolsonaro, está em curso no campo bolsonarista uma tentativa de deturpar a declaração do Presidente”, afirmou.
O partido também classificou a repercussão como “mais uma ação do Gabinete do Ódio Bolsonarista” para “alimentar a máquina de desinformação e Fake News”. A nota cita ainda denúncia contra Flávio publicada na plataforma PlatôBR, com suspeitas de recebimento de presentes, como um relógio de luxo.
Embora o PT afirme que Lula se referia a exames preventivos, o rastreamento do câncer do colo do útero segue critérios do Ministério da Saúde. A orientação é que o rastreamento seja oferecido a mulheres e outras pessoas com colo do útero dos 25 aos 64 anos que já tiveram atividade sexual. Em 2025, o ministério aprovou novas diretrizes, com o teste molecular de DNA-HPV oncogênico como exame primário. Para mulheres com menos de 25 anos, o rastreamento não é recomendado na população de risco padrão.

