Quase metade dos médicos que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil apresenta alto nível de esgotamento mental e emocional, aponta estudo realizado com 2.338 profissionais. A pesquisa abrangeu médicos de 26 estados e do Distrito Federal, que responderam a questionários digitais sobre sua saúde mental.
O levantamento indica que 48,5% dos entrevistados possuem alto nível de esgotamento. Somando-se aos 31,2% que apresentam esgotamento moderado, quase oito em cada dez médicos que trabalham em UTIs necessitam de atenção com a saúde emocional. Apenas 20,3% dos profissionais registraram baixo nível de esgotamento.
A análise aponta a despersonalização — quando o profissional se torna emocionalmente distante do trabalho como defesa — e a insatisfação com a vida como fatores de risco para o diagnóstico de burnout. Sobre a satisfação com as atividades profissionais, o índice de baixo grau foi de 46,4%.
Em relação à qualidade de vida, 54,2% dos intensivistas obtiveram pontuações abaixo da média considerada satisfatória. O estudo explica que essa pontuação não determina sozinha os níveis de burnout, mas a insatisfação com a vida é um dos aspectos considerados para o diagnóstico da síndrome.
O cenário reflete uma tendência nacional de alta nos diagnósticos de esgotamento. Entre 2023 e 2025, o número de afastamentos do trabalho por problemas relacionados à organização do modo de vida saltou de 1.760 para 6.985 casos, um aumento de 296%.
Esses dados referem-se a pessoas afastadas por período superior a 15 dias. A apuração indica que o volume total de casos pode ser maior, considerando profissionais com afastamentos curtos ou aqueles que não comunicaram a condição ao empregador.

