Relacionamentos amorosos saudáveis, com diálogo, respeito e acolhimento, podem contribuir para a sensação de segurança e para a forma como lidamos com o estresse. Pesquisas em psicologia e neurociência investigam a relação entre conexões afetivas, bem-estar e funcionamento do cérebro, segundo apuração baseada em estudos e entrevistas com especialistas.
“Vínculos amorosos saudáveis oferecem segurança, conforto e acolhimento emocional”, afirma a psicóloga clínica Larissa Fonseca. Segundo ela, a qualidade da relação pode ter reflexos na maneira como cada pessoa administra as próprias emoções diante dos desafios cotidianos. “Quando a relação ocorre dessa forma, contribui para reduzir o impacto do estresse no corpo e auxilia na regulação emocional”, acrescenta.
Estudos sobre relações próximas apontam associação entre vínculos sociais de qualidade e diferentes aspectos do bem-estar. Isso não significa que estar em um relacionamento seja, por si só, garantia de saúde mental ou física, já que a qualidade da relação e as características de cada indivíduo também entram nessa equação.
Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Aalto, na Finlândia, analisou como diferentes formas de amor estão relacionadas à atividade cerebral. O estudo utilizou exames de ressonância magnética para observar pessoas que descreviam diferentes tipos de vínculos afetivos. Os resultados mostraram que o amor romântico está entre as formas de amor associadas a uma ativação mais intensa de regiões relacionadas ao sistema de recompensa. Áreas envolvidas em processos ligados à cognição social também participaram da resposta observada pelos pesquisadores.
Além da conexão afetiva, a maneira como o casal se relaciona no dia a dia é um dos pontos considerados importantes para a qualidade do vínculo. Comunicação aberta, respeito às diferenças e possibilidade de expressar sentimentos estão entre os aspectos frequentemente associados a relações mais satisfatórias.
Para Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, a busca por conexão faz parte da experiência humana. “Desde os primórdios da humanidade, nossa essência tem sido moldada pela necessidade de conexão, somos seres sociáveis, sempre existiu o desejo de manter um relacionamento e cultivar novas amizades”, avalia.
Alguns comportamentos ajudam a identificar como o vínculo funciona na prática: diálogo aberto, segurança emocional, respeito aos limites, reciprocidade e conflitos respeitosos. Para Bittencourt, a convivência positiva também pode estar relacionada à sensação de bem-estar. “Quando estamos acompanhados por alguém que nos traz alegria, nosso corpo responde positivamente. A liberação de hormônios do prazer, endorfina, dopamina e serotonina, é ampliada, fortalecendo nossa imunidade”, finaliza.


