Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal (PF) revela mensagens de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, afirmando ter uma “dívida de vida” com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O documento, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, detalha interações entre os dois ao longo de 2024 e 2025.
A apuração indica que Vorcaro negociou a transferência de cotas de um helicóptero e de um jatinho como pagamento por um segundo contrato firmado com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. As mensagens registram encontros entre o ex-banqueiro e Moraes após a assinatura de um contrato anterior com a banca de Barci.
Em conversa datada de 14 de novembro de 2025, Vorcaro escreveu que ele, sua família e parceiros tinham uma gratidão e dívida de vida com o ministro e sua família. No dia seguinte, 15 de novembro, dois dias antes de sua prisão, o ex-banqueiro questionou se deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte.
O relatório aponta que Vorcaro tentava negociar o Banco Master com investidores estrangeiros e solicitou que Moraes e a PF contivessem operações contra ele e a instituição financeira. O documento menciona ainda o envio de uma mensagem de visualização única, de um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, no dia 17 de novembro de 2025, data da prisão do ex-banqueiro.
As mensagens citam também o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Passos. A Polícia Federal ressalvou que a análise do celular não foi exaustiva devido ao prazo de 72 horas para responder à requisição judicial, focando apenas em menções nominais diretas.
O documento integra a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes em cessões de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília. O ministro André Mendonça, relator dos processos, liberou o caso para apreciação do plenário do STF e solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em nota, o escritório de Barci de Moraes afirmou que o contrato foi assinado porque Alexandre de Moraes jamais julgou causas envolvendo o Banco Master, o que eliminaria impedimentos legais para a contratação. As assessorias do STF, da PGR e da PF não responderam aos contatos.

