Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal (PF), baseado em dados do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, revelou a existência de um contrato de prestação de serviços entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos, totalizando R$ 131,2 milhões. Metadados do arquivo indicam que o próprio ministro Alexandre de Moraes editou o documento antes da assinatura. O escritório de Viviane confirmou o acesso do magistrado e afirmou que o setor de compliance consultou Moraes sobre possíveis impedimentos legais, assegurando que os serviços foram prestados e que o ministro nunca julgou causas do banco.
A divulgação ocorreu após o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo dos documentos. O material inclui mensagens em que Vorcaro relatava problemas do banco e mencionava o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, buscando evitar medidas prejudiciais à instituição.
Registros indicam que, em 14 de novembro de 2025, o banqueiro encontrou Moraes em sua residência. No dia seguinte, Vorcaro solicitou nova conversa para decidir se deveria deixar o Brasil. Ele foi preso pela PF no dia 17 de novembro, enquanto se preparava para embarcar em avião particular com destino a Malta.
A PF recuperou 52 notas digitais relacionadas a Moraes, apesar de Vorcaro utilizar ferramentas de mensagens temporárias e capturas de tela para apagar rastros. A reconstrução completa de parte dos diálogos foi impossibilitada pela ausência de algumas respostas do interlocutor.
Em resposta, Alexandre de Moraes solicitou a abertura de investigação contra André Mendonça, acusando-o de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Para fundamentar o pedido, Moraes utilizou relatórios de inteligência da PF que, segundo os próprios documentos, possuíam confiabilidade baixa ou moderada e não tinham valor probatório.
O presidente do STF, Edson Fachin, retirou os documentos do Inquérito das Fake News e os transferiu para a Petição 16.704, sob sua relatoria. A Procuradoria-Geral da República (PGR) terá cinco dias úteis para se manifestar, seguida pelo mesmo prazo para a manifestação de Mendonça.


