O inquérito oficial sobre as mortes de bebês no hospital Countess of Chester, no noroeste da Inglaterra, publica o relatório final nesta terça-feira (15). O documento, conduzido pela juíza Kathryn Thirlwall, é alvo de controvérsia por não ter examinado a possibilidade de a enfermeira Lucy Letby ter sido condenada incorretamente.
O inquérito Thirlwall custou mais de 18 milhões de libras (cerca de R$ 124 milhões) aos cofres públicos. A apuração analisou a morte de sete bebês e sete tentativas de assassinato ocorridas em 2015 e 2016. Letby, de 36 anos, foi condenada em julgamentos realizados em 2023 e 2024 à prisão perpétua.
A investigação, iniciada em setembro de 2024, focou na conduta de profissionais da instituição, na cultura do Serviço Nacional de Saúde britânico e no momento em que as suspeitas deveriam ter surgido. No entanto, o relatório não revisou as evidências usadas na condenação nem avaliou a hipótese de erro judiciário.
Especialistas em neonatologia e estatísticos questionam a fundamentação do caso. Em fevereiro de 2025, um painel independente liderado pelo médico Shoo Lee afirmou que não encontrou evidências de que Letby tenha assassinado ou tentado matar as crianças, atribuindo as mortes a causas naturais ou atendimento médico inadequado.
Mark McDonald, advogado de Letby, criticou a condução do processo e afirmou que o inquérito partiu da premissa de que a enfermeira é culpada. O defensor pediu ao governo a suspensão de qualquer recomendação do relatório até que novas provas sejam analisadas pelo Tribunal de Apelação.
As condenações também são analisadas pela Criminal Cases Review Commission (CCRC), órgão independente que investiga erros judiciais na Grã-Bretanha. A revisão começou em fevereiro de 2025 e inclui as conclusões do painel de especialistas. A decisão da comissão não era esperada antes da publicação do relatório final.
Enquanto a defesa e médicos contestam as provas, algumas famílias das vítimas expressaram indignação com as dúvidas levantadas e afirmaram acreditar na decisão dos tribunais.

