A Renault e a chinesa Geely anunciaram, nesta quarta-feira (16), um novo investimento de R$ 2 bilhões no Brasil para o desenvolvimento de um carro elétrico e de tecnologia híbrida a etanol. O aporte soma-se a R$ 3,8 bilhões investidos em 2025, totalizando R$ 5,8 bilhões em recursos previstos até o fim de 2027.
A operação, denominada Renault Geely do Brasil, utiliza a planta da montadora francesa em São José dos Pinhais, no Paraná. O vice-presidente sênior do Geely Holding Group, Victor Yang, afirmou em coletiva de imprensa que a ambição do grupo é atingir a liderança no Brasil e no mercado latino-americano a longo prazo.
A produção local do modelo 100% elétrico EX2 deve começar em dezembro, com preço de entrada de R$ 123.800. No início deste mês, a empresa iniciou a fabricação do Geely EX5 EM-i Hybrid, que será lançado ao consumidor no fim do ano. Para 2027, está prevista a produção da tecnologia Renault Hybrid E-Tech 4×4 flex fuel.
O acordo prevê que a Geely adquira cerca de 26% da Renault do Brasil, obtendo acesso ao centro de engenharia e à rede de distribuição da marca. Ariel Montenegro, comandante da operação, informou que a nacionalização de peças permitirá custos competitivos para exportar veículos eletrificados para países vizinhos, que atualmente importam os modelos da China.
François Provost, CEO do grupo Renault, disse que a parceria visa acompanhar a velocidade dos competidores chineses. Segundo o executivo, a França ofereceu a estrutura industrial de 26 anos no país para acelerar a entrada da Geely no mercado brasileiro, enquanto a chinesa contribui com conhecimento em eletrificação.
A estratégia ocorre em um cenário de expansão das marcas chinesas na América do Sul, motivada por tarifas de importação nos EUA e na União Europeia. De acordo com a Fenabrave, fabricantes chineses detêm 18,3% de participação de mercado no Brasil no acumulado dos oito primeiros meses do ano.


