A eleição de 2018 renovou 47,3% das cadeiras da Câmara dos Deputados, mas manteve intacto o núcleo de congressistas que ocupa cargos de comando, segundo estudo do Instituto Representação e Legitimidade Democrática (ReDem). A apuração indica que a onda antipolítica substituiu a base da Casa, porém preservou a elite profissional do Legislativo.
O levantamento, parte do Programa dos Institutos Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCTs), analisou 3.764 deputados que exerceram mandato entre 2003 e 2024. Os dados mostram que o percentual de estreantes em 2018 foi superior à média de 37% registrada nos pleitos ocorridos entre 1994 e 2014.
Para mensurar a influência real dos parlamentares, os pesquisadores criaram o Índice de Profissionalização Parlamentar (IPP). A medida atribui notas de 0 a 1 com base no tempo de mandato, ocupação de presidências de comissões permanentes e relatorias, cargos que definem o ritmo e o conteúdo dos projetos antes da votação em plenário.
Até 2015, a profissionalização da Câmara ocorria de forma equilibrada. A partir de 2018, houve um descolamento entre a média e a mediana da Casa. Enquanto o deputado típico foi substituído por novatos, os congressistas mais profissionalizados permaneceram em seus postos, dobrando a distância entre a base e o topo da pirâmide legislativa.
O estudo explica que as posições de poder não são decididas pelo voto popular, mas por negociações entre lideranças partidárias. Por isso, a troca de metade dos deputados alterou quem ocupa as cadeiras, mas não quem comanda as decisões institucionais.
A análise conclui que a campanha de 2018 reconstruiu a fachada de representação, mas manteve a aristocracia interna. O resultado foi a manutenção do estrato que define a pauta e o conteúdo do processo legislativo brasileiro.


