Uma possível restrição dos Estados Unidos às exportações de diesel pode criar novos desafios para a economia brasileira, que depende do exterior para atender parte relevante do consumo do combustível. Segundo estimativas do JPMorgan, cerca de 25% do diesel consumido no país vem de importações, com os EUA respondendo por mais de 70% das compras em agosto.
A discussão ganhou força diante da possibilidade de o governo americano restringir temporariamente as exportações de diesel. Segundo informações publicadas pelo Politico, chegou a ser considerado um veto de 90 dias. O Morgan Stanley avalia que uma proibição integral parece improvável, mas não descarta algum tipo de restrição parcial ou temporária.
Para o Bradesco BBI, os efeitos sobre as ações brasileiras seriam variados. SLC Agrícola (SLCE3), São Martinho (SMTO3) e Jalles Machado (JALL3) estão entre as potenciais prejudicadas por diesel mais caro. Na outra ponta, Petrobras (PETR4), Rumo (RAIL3), distribuidoras de combustíveis e 3tentos (TTEN3) podem encontrar compensações ou até benefícios.
O Brasil é exportador líquido de petróleo, mas precisa importar derivados para complementar o abastecimento doméstico. O JPMorgan estima que o diesel brasileiro esteja sendo negociado a aproximadamente metade da paridade internacional, o que torna menos atraente trazer o combustível de outros mercados. Uma restrição do principal fornecedor poderia elevar o risco de escassez.
O governo afirma que o abastecimento está garantido. Para outubro, diante de uma demanda estimada em 3,950 milhões de metros cúbicos, há oferta confirmada de 3,978 milhões de metros cúbicos. O país também conta com estoques de 1,970 milhão de metros cúbicos. Desde março, o Ministério de Minas e Energia coordena uma mesa semanal de acompanhamento dos fluxos de importação e distribuição.
No dia 28 de setembro, o governo confirmou a manutenção da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, além de intensificar a fiscalização sobre a cadeia de combustíveis. A administração afirmou que poderá aplicar multas de R$ 20 mil a R$ 500 milhões em situações caracterizadas como prática abusiva. O JPMorgan estima que as medidas adotadas em setembro têm custo de R$ 7 bilhões por mês, enquanto o pacote desde março poderia alcançar R$ 40 bilhões até o fim de setembro.
Para o Bradesco BBI, uma eventual escassez poderia levar o Brasil a priorizar o fornecimento de diesel para a logística agrícola e o escoamento das safras, reduzindo a disponibilidade para outras atividades. Esse risco ganha importância em meio à temporada de plantio da soja, período de demanda relevante pelo combustível.

