O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou neste sábado (19) que espera que o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) responda por seus atos. Leite, ex-presidente da Câmara Municipal, foi preso na sexta-feira (18) em uma investigação sobre a infiltração da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da cidade.
Nunes disse que o aliado político terá condições de se defender e que a decisão final caberá ao juiz. O prefeito falou sobre o caso durante a abertura da Virada Esportiva, no Pacaembu, e informou que não conversa com o ex-vereador ou com seus filhos desde a prisão.
A Operação Vectura Corrupta indica que a facção criminosa controla 12 empresas de ônibus na Grande São Paulo por meio de um esquema de lavagem de dinheiro. A apuração classifica Milton Leite como dono de fato da Transwolff, companhia que opera na zona sul da capital e seria responsável direta por sua operação.
Em contato telefônico realizado na quinta-feira (17), Milton Leite negou qualquer relação com a Transwolff ou com o PCC. Ele afirmou que sua atuação no setor de transportes foi institucional, a pedido do ex-prefeito Bruno Covas, incluindo a negociação de uma greve em 2019, e declarou que nunca possuiu um carro.
A Transwolff nega irregularidades. A empresa é citada em investigações que apontam trajetórias semelhantes a outras companhias de ônibus integradas ao esquema de lavagem de dinheiro da facção.
Milton Leite era vereador desde 1997 e possuía influência no Executivo municipal. Em 2024, disputou a indicação para vice na chapa de Nunes. O filho mais velho do ex-vereador, Alexandre Leite, foi secretário de Relações Institucionais da prefeitura até março deste ano.

