A Prefeitura do Rio e forças de segurança do Governo do Estado anunciaram, nesta terça-feira (1), a criação do Núcleo Integrado e Permanente de Combate a Furtos e Receptação de Cabos. A iniciativa visa unir órgãos municipais, estaduais e concessionárias para integrar inteligência, fiscalização e ações policiais contra o crime.
A força-tarefa, coordenada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), atuará na identificação de locais e horários com maior frequência de crimes e na fiscalização de estabelecimentos que compram ou comercializam materiais de origem criminosa. O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que dezenas de ferros-velhos já foram mapeados para possíveis interdições e apreensões.
Como medida preventiva, a CET-Rio iniciou a substituição de cabos por materiais com baixo valor comercial, na cor laranja. O novo modelo possui pouco cobre, o que dificulta a revenda. Nove de 54 cruzamentos previstos para a primeira fase já receberam a instalação, com previsão de concluir 14 quilômetros de cabeamento em seis semanas. A estratégia inclui garras antifurto e concretagem de caixas de passagem.
Os dados da CET-Rio mostram que a Grande Tijuca é a região mais afetada, concentrando 25% dos furtos de cabos e equipamentos semafóricos em 2026. No cruzamento da Rua Valdir Amaral com a Boulevard 28 de Setembro, um único semáforo foi furtado 87 vezes apenas este ano. Na região, o prejuízo estimado supera R$ 8 milhões, com a perda de 116 quilômetros de fios.
A Polícia Civil, por meio da Operação Caminhos do Cobre, ativa desde 2024, informou que realizou mais de 600 fiscalizações e 280 prisões de proprietários de estabelecimentos. O delegado Clemente declarou que as investigações resultaram no bloqueio judicial de R$ 240 milhões.
Entre 2021 e 2026, o prejuízo total do município com cabos roubados da CET-Rio e da RioLuz superou R$ 69 milhões. A RioLuz registrou quase 95 mil ocorrências no período, com perdas de 1,8 mil quilômetros de cabos e prejuízo de R$ 42 milhões. Já a Light identificou 780 furtos nos primeiros sete meses de 2026, totalizando 78 quilômetros de material levado e perda de R$ 7,4 milhões.

