O rompimento político entre os irmãos Ciro Gomes (PSDB) e Cid Gomes (PSB) movimenta a disputa eleitoral no Ceará, com os dois em chapas opostas. Ciro concorre ao governo do estado como líder da oposição ao PT, enquanto Cid busca a reeleição ao Senado em aliança com o governador Elmano de Freitas (PT).
Durante debate transmitido na terça-feira, Ciro Gomes evitou responder se chamou o irmão de traidor em discussão ocorrida no ano passado. O candidato ao governo afirmou ter buscado assistência psicológica devido ao conflito e pediu permissão para não tratar do assunto. Elmano de Freitas defendeu Cid, declarando que o candidato ao Senado “nunca traiu ninguém”.
Em sabatina realizada na segunda-feira, Cid Gomes disse desejar a reconciliação com Ciro, mas alegou que a reaproximação não é vontade do irmão. O senador afirmou ter sido alvo de agressões pessoais e declarou que Ciro mudou de lado ao se juntar a lideranças bolsonaristas que eram contrárias às gestões da família no Ceará.
O afastamento entre os irmãos começou há quatro anos, durante a definição do candidato do PDT para o pleito estadual de 2022. Cid defendia a continuidade da governadora Izolda Cela, enquanto Ciro apoiava a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, para garantir um palanque em sua campanha presidencial.
A decisão de Ciro levou ao rompimento do PT com o PDT na época. O PT lançou Elmano de Freitas, que venceu a eleição com 54,02% dos votos. Em novembro de 2023, Cid deixou o PDT e filiou-se ao PSB, movimento acompanhado pela saída de cerca de 50 prefeitos, além de deputados estaduais e federais.
Ciro Gomes filiou-se ao PSDB no ano passado para disputar as eleições de 2026.


