O sarampo voltou a se espalhar nos Estados Unidos no ritmo mais intenso dos últimos 35 anos, com mortes registradas e ao menos 10 crianças infectadas no último mês em um surto ligado a uma creche na Geórgia. A informação consta em artigo publicado nesta quarta-feira (30) por um ex-dirigente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
O texto, assinado por um ex-líder sênior do CDC, afirma que a agência federal não tem dado a devida atenção ao problema. As mensagens de volta às aulas publicadas pelo órgão no X trataram de sono, atividade física, lanches saudáveis e bullying, mas deixaram de fora a recomendação de atualizar a caderneta de vacinação das crianças.
Quatro mortes associadas ao sarampo relatadas pela Pensilvânia inicialmente não apareceram no painel nacional do CDC. Em agosto, duas delas foram publicadas com um aviso de que a agência revisava informações adicionais. Depois, os registros foram removidos sem explicação clara. Até 28 de setembro, o painel do CDC listava duas mortes, sem identificar os estados.
Há divergência entre autoridades federais e estaduais sobre como contar os óbitos por sarampo. Em agosto, o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., chegou a questionar se as mortes na Pensilvânia teriam sido fabricadas. O estado afirma que sua definição de morte associada ao sarampo exclui casos sem relação com a infecção.
Líderes do Departamento de Saúde e do CDC disseram que trabalham para definir claramente as mortes por sarampo e que atualizarão os números quando as revisões forem concluídas. A agência, porém, não explicou quais óbitos estão sendo contados, como as decisões são tomadas nem por que o sistema de notificação usado pelos estados foi alterado.
Dois ex-dirigentes do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde criticaram publicamente as mudanças, afirmando que elas atrasarão a divulgação de dados e aumentarão a confusão da população sobre a gravidade do sarampo. Um único caso pode expor dezenas de colegas de classe, professores e irmãos, além de bebês pequenos demais para serem vacinados.
Na temporada 2025-2026, cerca de 280 mil crianças entraram no jardim de infância sem comprovação de vacinação completa contra sarampo, caxumba e rubéola. Em 24 estados, o percentual de isenções vacinais superou 5%, abaixo do nível de 95% necessário para evitar a propagação da doença. Cada caso de sarampo custa em média US$ 58,6 mil ao sistema público de saúde.
Na Pensilvânia, foram abertos quase 150 postos de vacinação em residências e centros comunitários. O estado também desenvolveu um painel com a transmissão por condado e trabalhou com legistas para investigar as mortes. O ex-dirigente do CDC afirma que os líderes federais deveriam reforçar esse trabalho em vez de lançar dúvidas sobre ele.

