O cartunista André Guedes publicou, na sexta-feira (4), um vídeo de animação que satiriza a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) provocada por revelações do caso Master. O conteúdo ironiza a relação entre ministros da Corte e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com base em mensagens e relatórios da Polícia Federal (PF).
No vídeo de três minutos, o personagem do ministro Alexandre de Moraes aparece segurando o ministro André Mendonça pela gola. Enquanto Moraes nega relação com Vorcaro, o ex-banqueiro interage com o magistrado e questiona a opinião da esposa do ministro sobre um avião, referindo-se a um contrato de R$ 50 milhões e a transferências de aeronaves para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes.
A animação também retrata o ministro Edson Fachin defendendo a criação de um Código de Ética no STF, proposta discutida desde 2025, para evitar que colegas se acusem publicamente. Outras figuras aparecem na cena, como o ministro Flávio Dino, o procurador-geral da República Paulo Gonet, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira, que fingem não notar a presença de Vorcaro.
O conteúdo ironiza ainda a ida de André Mendonça a uma alfaiataria acompanhado do advogado de Vorcaro, Ciro Soares. No final do vídeo, o personagem de Vorcaro sai para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é mostrado sobre uma pilha de pedidos de impeachment contra Moraes.
A sátira baseia-se em um relatório de 218 páginas da PF, entregue em 27 de agosto, que analisou o celular de Vorcaro. O aparelho foi apreendido em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, que investigava fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso no dia 18 de novembro de 2025.
O documento, que teve o sigilo derrubado por André Mendonça na terça-feira (1º), reúne mensagens entre o fundador do banco e Alexandre de Moraes. A PF informou que a análise não foi exaustiva devido ao prazo de 72 horas para a requisição judicial e que parte dos diálogos não pôde ser reconstruída porque foram enviadas via recurso de visualização única do WhatsApp.

