A presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, afirmou que a ciência e temas estratégicos para o desenvolvimento do Brasil seguem à margem do debate nas eleições gerais de 2026. Segundo a pesquisadora, escândalos políticos e crises institucionais monopolizam a atenção e esvaziam discussões vitais para o país.
Garcia argumenta que eleitores e candidatos foram levados a uma falsa escolha entre discutir a integridade das instituições ou o projeto de desenvolvimento nacional. A professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) defendeu que ambos os temas fazem parte de uma mesma agenda, mas a ciência brasileira ainda não entrou na campanha.
A SBPC lançou o Observatório das Eleições com mais de 100 propostas de políticas públicas. No entanto, a adesão tem sido baixa: pouco mais de uma centena de candidaturas engajadas, sendo apenas uma de âmbito federal executivo e nenhuma de candidatos a governador. Algumas candidaturas ao Senado e à Câmara dos Deputados também reduziram a velocidade de compromissos com as propostas.
Entre os temas negligenciados estão a transição energética, o processamento de minerais críticos, como as terras raras, e a preparação para novas crises sanitárias. A presidenta mencionou que o Sistema Único de Saúde (SUS) precisa de estratégias para enfrentar a negação de vacinas e a iminência de novas pandemias.
A pesquisadora citou ainda a urgência de debater a transformação digital, os impactos da inteligência artificial e o envelhecimento populacional. Para Garcia, a falta de planejamento para a próxima década, quando haverá mais pessoas acima de 60 anos do que na faixa etária produtiva, coloca em risco a soberania e a autonomia do Brasil.
Sobre as investigações em curso que dominam a imprensa, a SBPC, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e outras entidades publicaram nota defendendo que o rito processual e o direito à defesa sejam respeitados. Garcia criticou vazamentos de informações para interesses particulares, alegando que isso retira a centralidade de temas fundamentais para a nação.

