Especialistas e representantes do governo federal discutiram, nesta quinta-feira (10), as políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio em audiência na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. O encontro, requerido pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), focou nos impactos do ambiente escolar, do trabalho e nos canais de emergência para saúde mental.
A senadora apresentou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que apontam mais de 720 mil mortes por suicídio anualmente no mundo, com estimativa de 20 tentativas para cada óbito. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 15.507 mortes por suicídio em 2021, sendo 77,8% entre homens. No mesmo período, houve 114.159 notificações de violência autoprovocada, com 70% dos casos envolvendo mulheres.
No campo educacional, Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, afirmou que a prevenção exige escolas seguras e acolhedoras. Segundo Fortes, episódios de bullying, racismo e violência de gênero não podem ser naturalizados. A OMS indicou, em publicação de 2025, que um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos convive com algum transtorno mental.
Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho, relacionou o risco de suicídio a estressores financeiros e desigualdades salariais entre homens e mulheres. Ela informou que mais de 500 mil trabalhadores do serviço público federal foram afastados em 2025 por ansiedade, depressão e burnout. Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), disse que o ambiente laboral não pode ser causa de adoecimento.
O impacto das apostas esportivas online, as bets, também foi pauta. Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, declarou que pessoas endividadas por apostas têm 15 vezes mais chances de cometer suicídio, citando estudos da OMS. Boska alertou ainda para o índice maior de casos entre a população negra.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) relatou que seus 2.300 voluntários prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes no último ano. O serviço funciona 24 horas, de forma gratuita e sigilosa, por meio do telefone 188, chat ou e-mail. Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), criticou a ausência de antidepressivos como o carbonato de lítio na Farmácia Popular.


