A exaustão mental, a solidão e a dependência digital impulsionam o crescimento da abstenção eleitoral no Brasil, segundo o estudo Termômetro do Bem Viver. A pesquisa, realizada pelo Datafolha em parceria com o projeto Desapocalíptica da organização Avaaz, mapeou a conexão de internautas com a comunidade, a convivência social e a preservação ambiental.
O levantamento dividiu a população em três perfis: vinculados (29,4%), relativamente vinculados (64%) e desvinculados (6,6%). Entre os classificados como desvinculados, 47% declararam ter deixado de votar ou fazê-lo raramente. No grupo oposto, 94% dos eleitores com alto grau de vínculo comunitário afirmaram ter comparecido às urnas nas últimas eleições.
A ruptura de laços coletivos atinge principalmente a juventude. Cerca de 44% dos entrevistados com idade entre 18 e 34 anos integram o grupo dos desvinculados, enquanto 78,3% dos vinculados possuem 35 anos ou mais. O uso de telas também é maior entre os mais novos: 24% dos jovens de 18 a 24 anos passam a maior parte do tempo livre em redes sociais, o dobro do índice registrado entre adultos de 45 a 54 anos.
O distanciamento social reflete na adesão ao regime democrático. Enquanto 79% dos vinculados consideram a democracia um valor inegociável, esse índice cai para 30% entre os desvinculados. Nesse grupo, 25% admitem abrir mão do sistema por um governo alinhado a valores individuais.
A pauta ambiental segue a mesma tendência. Para 80% dos desvinculados, a preservação da natureza tem peso quase nulo na escolha de um candidato, e 55% apresentam traços de negacionismo climático. Já entre os vinculados, 91% tratam a conservação ambiental como critério prioritário para votar.
Grupos focais indicaram que o voto passou a ser pautado pela lógica de redução de danos, servindo para conter retrocessos ou evitar o cancelamento de documentos como o CPF e o título de eleitor. Os autores do relatório sugerem que a regulação de plataformas digitais e mudanças na rotina de trabalho, como o fim da escala 6 x 1, poderiam reaproximar os cidadãos da política.
A pesquisa quantitativa ocorreu entre 11 e 21 de novembro de 2025, com 2.002 entrevistas on-line com eleitores de 18 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

