O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da Direção-Geral da Polícia Federal (PF) e de Leandro Almada da Diretoria de Inteligência da corporação, citando a gravidade de relatórios de inteligência produzidos pelo órgão.
Mendonça justificou a medida apontando a “superlativa gravidade e ilicitude” na produção de documentos tornados públicos pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo a decisão, o afastamento busca evitar constrangimentos e garantir que autoridades e servidores atuem de forma independente durante as apurações, sem que a medida represente uma condenação de Rodrigues.
Andrei Rodrigues, delegado da PF há mais de 20 anos, comandava a instituição desde 2 de janeiro de 2023. O nome do diretor apareceu em desdobramentos de investigações sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em mensagens onde o banqueiro afirmava precisar de proteção de “Andrei” e “Paulo”, referência esta última ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Outra controvérsia envolve relatórios de inteligência da PF que registravam declarações atribuídas a André Mendonça. Nos documentos, o ministro teria considerado a proximidade de Rodrigues com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como inadequada, o que o tornaria não confiável para conduzir certas investigações. Investigadores da PF interpretaram tais episódios como possível tentativa de interferência na corporação.
No dia 3 de setembro, o presidente do STF, Edson Fachin, abriu procedimento para esclarecer supostas irregularidades em investigações da PF envolvendo autoridades com foro na Corte. Fachin solicitou esclarecimentos por escrito de Rodrigues, Gonet, Mendonça e Moraes sobre o cumprimento de regras de sigilo e o uso de credenciais institucionais para acessar documentos particulares.
Graduado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Rodrigues atuou na segurança de Dilma Rousseff em 2010 e de Lula em 2022. Também foi responsável pela segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, quando ocupou a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos.


