O Supremo Tribunal Federal (STF) avalia, em sessão extraordinária nesta terça-feira (15), se existem elementos para a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A análise ocorre após a Polícia Federal (PF) identificar mensagens e contratos envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a esposa do magistrado.
As apurações da PF baseiam-se em dados extraídos do celular de Vorcaro. Segundo o relatório, o banqueiro enviou mensagens a Moraes tratando de investigações sobre o Banco Master, incluindo um questionamento sobre a necessidade de deixar o país para evitar a prisão. O documento também cita pedidos relacionados ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O caso envolve ainda contratos entre empresas do Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Um dos documentos prevê pagamentos de R$ 108 milhões. A Polícia Federal apontou registros que indicariam a participação de Moraes na edição de uma minuta contratual.
Moraes negou ter atuado em favor de Vorcaro ou da instituição financeira. Em manifestação prévia à sessão, o ministro afirmou que a divulgação de informações é uma tentativa de vingança de aliados de condenados pelo STF e classificou as acusações como mentiras com motivação político-eleitoral.
A divulgação do relatório gerou conflito entre os magistrados pelo acesso aos dados do celular. O ministro André Mendonça, relator de parte das investigações do Banco Master, recebeu cópia do conteúdo, enquanto Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Moraes solicitaram acesso integral. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a distribuição equitativa das provas para não comprometer a avaliação.
O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a condução da discussão sobre o material e separou a análise da possível investigação de Moraes da discussão sobre a atuação de Mendonça, que foi marcada para 23 de setembro. Nesta terça-feira, os ministros julgam a Petição 16.662 para definir se haverá apuração formal sobre os fatos.


