O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, interrompeu às 13h desta terça-feira (15) a sessão plenária que decide se o ministro Alexandre de Moraes poderá ser investigado por suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento deve ser retomado às 14h para a análise de questões deliberadas durante a manhã.
Durante a sessão, os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino questionaram atos de Fachin para assumir as relatorias dos processos envolvendo acusações contra Moraes e contra o ministro André Mendonça. O presidente da Corte afirmou que não houve decisão de avocar os autos e explicou que os documentos foram encaminhados à presidência porque o juiz natural para julgar a matéria é o plenário.
Os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli declararam-se, respectivamente, impedido e suspeito de participar do julgamento sobre a abertura da investigação contra Moraes. O caso teve início em 1º de setembro, quando André Mendonça levantou o sigilo de um relatório que menciona Moraes, desencadeando a divulgação de documentos comprometedores entre os membros da Corte.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a anulação do relatório parcial, argumentando que Mendonça permitiu o avanço da investigação contra um ministro sem comunicar o presidente do STF ou o plenário. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também é mencionado em mensagens que a Polícia Federal (PF) afirma terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.
O material divulgado por Mendonça contém 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025. Nos textos, o ex-banqueiro sugere ter enviado um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e busca informações sobre sua própria prisão preventiva.
Em defesa apresentada na madrugada desta terça-feira (15), Alexandre de Moraes negou irregularidades e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal. Em resposta, Moraes divulgou em 2 de setembro um documento de inteligência sugerindo que Mendonça teria direcionado investigações da Operação Compliance Zero. O material não possui assinatura nem timbre da PF e traz alerta de que é uma conjectura sem valor probatório.
Moraes solicitou a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de crime de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade. O presidente do Supremo agendou o julgamento deste pedido para o dia 23 de setembro.


