A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (8) para manter o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal (PF). O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que tem prazo de 90 dias para analisar o processo.
Os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux votaram para acompanhar a decisão do relator, André Mendonça. A medida cautelar também afasta Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF. A suspensão do julgamento por Gilmar Mendes não altera o efeito prático da decisão, que segue vigente.
O afastamento baseia-se em um relatório interno da PF utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O documento sugere que Mendonça teria agido para direcionar investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, favorecendo grupos políticos.
Mendonça classificou o material como apócrifo e sem legitimidade, afirmando que houve monitoramento ilícito contra ele e contra o chefe da Advocacia Geral da União (AGU) por pelo menos 30 dias. O ministro comparou a situação ao livro 1984, de George Orwell, citando a existência de um governo de vigilância ostensiva.
A crise institucional envolve mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviadas a Alexandre de Moraes. O relatório produzido a pedido de Mendonça identifica Moraes como interlocutor de Vorcaro, enquanto Moraes utilizou outro relatório de inteligência para contra-atacar o colega. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Mendonça, Moraes, Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, prestem informações.
Devido ao afastamento, Rodrigues cancelou a abertura de um curso de formação na Academia Nacional, em Brasília. O evento foi iniciado por William Murad, diretor-executivo da PF, após 735 alunos aguardarem por 50 minutos.

