A Suprema Corte dos EUA autorizou nesta quarta-feira (30) a execução de Christa Gail Pike, de 50 anos, primeira mulher a ser executada no Tennessee em 200 anos. A decisão anulou a suspensão concedida por um tribunal inferior. A defesa afirmou que o procedimento pode começar a qualquer momento.
Pike foi condenada pela morte de Colleen Slemmer, de 19 anos, em janeiro de 1995, em Knoxville. As duas eram colegas em uma instituição de treinamento profissional. Segundo os promotores, Pike atraiu Slemmer para uma área de mata por suspeitar que ela tentava ficar com seu namorado, Thomas David Shipp.
A acusação afirma que Pike cortou Slemmer com um estilete e a espancou com um pedaço de asfalto. Shipp, que tinha 17 anos na época, admitiu ter esculpido um pentagrama no corpo da vítima. O símbolo contribuiu para a repercussão do caso durante o período conhecido como “pânico satânico” nos EUA.
Pike não contesta ter participado do assassinato. Seus apoiadores afirmam que sua idade à época do crime, doença mental e histórico de abusos sexuais deveriam ter sido considerados na pena. O defensor federal Stephen Ferrell disse que a condenação de Pike é exceção entre casos semelhantes no Tennessee.
A decisão desta quarta-feira ocorreu depois de a Suprema Corte rejeitar, na terça-feira (29), um pedido dos advogados para interromper o procedimento. Na segunda-feira (28), o governador Bill Lee negou o pedido de clemência. Pike reconheceu a gravidade do crime em declaração incluída no pedido.
A mãe da vítima, May Martinez, defende a execução e afirmou que espera há décadas pela aplicação da sentença. Ela e o marido viajaram da Flórida para o Tennessee para acompanhar o procedimento. As testemunhas já estavam reunidas na penitenciária de Riverbend, em Nashville, quando a ordem de suspensão foi emitida, por volta das 9h locais.
Pike foi a única condenada à pena de morte pelo assassinato. Shipp, que tinha 17 anos, recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Segundo Robin M. Maher, do Death Penalty Information Center, o Tennessee não executa uma mulher há pelo menos 200 anos, mas registros históricos são incompletos.

