O Ministério da Saúde anunciou, nesta quinta-feira (17), a integração do tratamento de doença renal crônica no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de agora, o acompanhamento do paciente ocorrerá em etapa única, abrangendo desde o diagnóstico até a diálise, com o objetivo de eliminar a espera em múltiplas filas de atendimento.
A medida, chamada de Oferta de Cuidado Integrado (OCI), faz parte do programa Agora Tem Especialistas. Segundo o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, a estratégia deve aumentar a oferta de atendimento nefrológico para os usuários do SUS entre 160% e 260%. O secretário afirmou que a junção de procedimentos anteriormente fragmentados evita que o paciente fique em uma “ciranda de procura”.
A mudança ocorre enquanto o Brasil registra avanço da doença. Dados da Associação Brasileira de Centro de Diálise e Transplante (ABCDT) mostram que o número de pessoas em tratamento por diálise cresceu 9,2% em um ano, subindo de 156.473 em dezembro de 2024 para 170.868 em dezembro de 2025. O diabetes é a causa principal, respondendo por um terço dos casos.
A pasta pretende elevar a participação da diálise no tratamento da doença renal crônica de 4,55% para cerca de 15%. Um levantamento da ABCDT estima que 230 mil pessoas necessitem de diálise no país, o que indica que mais de 60 mil estariam sem acesso à terapia no período da apuração.
O governo informou que, entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, foram abertos 25 novos pontos de hemodiálise, quatro de diálise peritoneal e 33 pré-dialíticos. A expectativa é que a linha integrada reduza o absenteísmo e permita que os pacientes controlem a condição por mais tempo, evitando a necessidade da diálise em casos agudos.
A doença renal crônica caracteriza-se pela perda progressiva da capacidade dos rins de filtrar o sangue e eliminar resíduos. Sem o acompanhamento adequado, a condição pode evoluir para estágios graves, elevando o risco de morte e complicações cardiovasculares.


