As taxas do Tesouro Direto recuaram nesta sexta-feira (25), apesar de o IPCA-15 de setembro ter registrado alta de 0,70%, valor superior à projeção de 0,53%. O movimento reflete sinais de que Estados Unidos e Irã buscam uma saída gradual para o conflito no Oriente Médio, aliviando a pressão sobre os títulos públicos.
O Tesouro Prefixado 2032 caiu para 14,13%, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2037 recuou para 14,11%. Nos títulos indexados à inflação, o IPCA+ 2032 baixou para 7,65% e o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 caiu para 7,50%. Apenas os papéis de prazo mais longo, como o IPCA+ 2060, registraram alta pontual, chegando a 7,20%.
A apuração de agências internacionais indica que negociadores discutem a reabertura do Estreito de Ormuz. Um alto funcionário iraniano afirmou que esse caminho é o mais realista. A possibilidade de trégua conteve os preços do petróleo e reduziu a disparada dos Treasuries americanos, que operam próximos aos maiores patamares em duas décadas.
A prévia da inflação oficial reverteu a deflação de 0,40% de agosto, acumulando alta de 4,47% em 12 meses. Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, informou que o índice foi puxado por passagens aéreas e gasolina. Leonardo Costa, economista do ASA, disse que o processo de desinflação dos núcleos de serviços segue incompleto.
Mesmo com a surpresa inflacionária, analistas mantêm a expectativa de cortes nos juros. A Monte Bravo projeta a Selic em 13,50% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O ASA aposta em dois cortes de 25 pontos-base, previstos para novembro e dezembro.

