A revista britânica The Economist publicou, nesta quinta-feira (10), uma análise afirmando que o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a representar uma ameaça à democracia, após ter sido visto anteriormente como seu defensor. O texto detalha supostas irregularidades envolvendo ministros e a gestão de inquéritos na Corte.
A publicação cita ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo a revista, mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) indicam que Vorcaro buscava a intercessão de Moraes junto ao Ministério Público e à PF.
O texto afirma que o Banco Master contratou Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, por meio de um acordo descrito como caro e incomumente vago. Um documento garantiria à advogada o uso de helicóptero e jato do empresário como forma de pagamento.
A análise menciona ainda a crise entre Moraes e o ministro André Mendonça, relator do caso Master. No dia 3 de setembro, Moraes solicitou a investigação criminal de Mendonça com base no Inquérito das Fake News. O presidente do STF, Edson Fachin, interveio nesta quarta-feira (9), rejeitou o pedido e assumiu a relatoria do inquérito.
De acordo com a revista, Moraes ridicularizou a proposta de Código de Conduta apresentada por Fachin ao assumir a Corte. O documento destaca também que Vorcaro consultou o ministro sobre deixar o país dois dias antes de seu desembarque no Aeroporto de Guarulhos, onde foi preso. As conversas teriam ocorrido via modo temporário do WhatsApp.
A The Economist avalia que a disfunção no Judiciário fortalece aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no Congresso, que prometem impeachment de ministros após as eleições. A publicação conclui que a corrupção nas instituições brasileiras pode minar a confiança da população na democracia.


