A poucos dias das eleições de 2026, a governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), segue sem resposta conclusiva da Justiça sobre acusações envolvendo repasses de R$ 1,4 milhão a uma empresa ligada ao marido e à filha dela. O TRE-DF deu prazo de cinco dias para esclarecimentos, mas o prazo foi extrapolado sem definição nem punição.
O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) concedeu cinco dias para que Celina Leão apresente esclarecimentos sobre as acusações levadas à Justiça. O prazo é relevante porque ocorre na reta final da campanha, período em que decisões judiciais relacionadas aos candidatos podem ter repercussão direta no debate eleitoral. Até o momento, porém, não há decisão de mérito que permita concluir pela existência ou inexistência das irregularidades apontadas nessa frente.
Paralelamente, outra frente envolve uma representação apresentada ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por adversários de Celina Leão. Sete candidatos ao Governo do Distrito Federal procuraram o órgão em 8 de setembro para pedir a apuração de repasses que, segundo a representação, somam R$ 1,4 milhão.
Os pagamentos teriam sido realizados pela Real JG Facilities, empresa que mantém contratos com o Governo do Distrito Federal, à Faceng Engenharia, que tem entre seus sócios Fabrício Faleiro Ferreira e Bruna Victória Leão Machado de Araújo, respectivamente marido e filha da governadora. Foram apontados 14 pagamentos de R$ 100 mil.
Os candidatos pediram que os órgãos competentes investigassem se existe alguma irregularidade na relação comercial. A existência dos pagamentos, por si só, não comprova prática ilícita. Celina já negou irregularidades. Durante debate realizado em setembro, a governadora afirmou que a empresa do marido não possui contratos com o GDF e declarou que ele nunca teve negócio com o governo.
Procurado sobre o andamento da representação, o MPDFT informou que os autos foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Assessoria Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça do próprio MPDFT e à Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep). Segundo o órgão, os setores responsáveis devem avaliar separadamente o conteúdo apresentado e decidir quais providências poderão ser adotadas.
Em nota, o MPDFT afirmou: “Em observância ao rito previsto na legislação, os órgãos ministeriais avaliarão o conteúdo da representação e adotarão, de forma independente, as providências que entenderem cabíveis.” Na prática, a resposta indica que a representação permanece em fase de análise, sem conclusão informada até agora sobre eventual abertura de investigação, arquivamento ou outras providências.
A proximidade das urnas coloca o tempo das instituições no centro da discussão. De um lado, denúncias apresentadas por adversários políticos precisam passar pelo devido processo de análise e pelo direito de defesa. De outro, a ausência de uma conclusão antes da votação significa que o eleitor pode chegar ao dia da eleição sem uma resposta definitiva sobre acusações que passaram a integrar o debate político no Distrito Federal.


