O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) deferiu, por maioria, nesta terça-feira (29), o registro da candidatura de Márcio Canella (União Brasil) à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com a decisão, o ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, está liberado para concorrer a uma vaga de deputado estadual. O julgamento havia sido interrompido na semana anterior, quando a Corte pediu novas diligências.
Na retomada do julgamento, prevaleceu o entendimento de que não havia provas suficientes para acolher as impugnações apresentadas contra o candidato. Ao todo, a candidatura foi questionada em cinco pedidos de impugnação, apresentados por Thiago Virgilio Teixeira de Souza, Daniel Silva de Lima, Fabio de Azevedo Barbosa, Jean Pierre Pereira Salles e pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). Também houve uma notícia de inelegibilidade protocolada por Joaquim Pedro de Morais Filho.
Os questionamentos tratavam, entre outros pontos, de supostas ligações de Canella com grupos criminosos e milícias na Baixada Fluminense. O Ministério Público Eleitoral, porém, manifestou-se favoravelmente ao registro da candidatura, entendimento que acabou acompanhado pela maioria da Corte.
O desembargador Guilherme Calmon votou pelo indeferimento e mencionou acusações que relacionam Canella a integrantes de grupos criminosos. Em seu voto, ele citou nomeações para a Assembleia Legislativa de pessoas supostamente ligadas ao crime e um alegado acordo com traficantes de Belford Roxo para gravações em comunidades com barricadas.
Calmon também afirmou que as barricadas teriam sido recolocadas depois das gravações, o que, na avaliação dele, indicaria que o território não teria sido efetivamente retomado pelo poder público. O desembargador classificou a situação como um território que teria sido “alugado pelo tráfico para fins eleitorais”, mas ficou vencido no julgamento.
No voto contrário, Calmon ainda citou a relação de Márcio Canella com o vereador do Rio de Janeiro, Jorge Canella, também do União Brasil. Jorge foi preso pela Polícia Federal durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, quando agentes encontraram armamento de uso restrito em uma residência na Barra da Tijuca. O desembargador lembrou que Márcio Canella concedeu a Jorge Canella a Medalha Tiradentes em 2021 e mencionou ainda a campanha de 2024, quando o vereador teria se apresentado como “o vereador do Márcio”.
Esses elementos foram considerados na fundamentação do voto vencido, mas não impediram o deferimento da candidatura pela maioria do TRE-RJ.

