O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em relatório anual enviado ao Congresso que o governo brasileiro falhou em confrontar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O documento, divulgado nesta quinta-feira (17), cobra a adoção de medidas enérgicas contra as facções, classificadas por Washington como organizações terroristas estrangeiras.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota na noite de quarta-feira negando falhas ou omissões no combate ao crime organizado. A declaração ocorre a menos de uma semana do encontro entre os dois presidentes, marcado para o dia 22, durante a abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
A relação bilateral tem sido marcada por instabilidades. Em julho de 2025, o secretário de Estado Marco Rubio revogou os vistos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de seus familiares e aliados, alegando que ações do Judiciário contra Jair Bolsonaro configuravam caça às bruxas política. Moraes chegou a ser sancionado pela Lei Magnitsky, mas as punições foram retiradas em dezembro daquele ano.
No campo comercial, a Casa Branca impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em julho de 2025. Mais recentemente, em julho de 2026, entrou em vigor uma taxa de 25% após investigação concluir que o Brasil adota práticas que restringem o comércio com os EUA. No dia 24 de julho, foi confirmada outra tarifa de 12,5% devido a alegações de falta de combate ao trabalho forçado.
O impasse diplomático também atingiu funcionários. O Itamaraty negou vistos a dois agentes do governo americano que discutiriam liberdade de expressão. Em resposta, o Departamento de Estado reteve vistos de dois agentes da Polícia Federal designados para Miami e Nova York. Em agosto de 2026, Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando demora no aval diplomático para Daniel Perez assumir a embaixada americana.


