O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (12), durante visita à Irlanda, que gostaria de ver a unificação da Irlanda e da Irlanda do Norte. As declarações rompem com a neutralidade mantida por presidentes americanos por décadas sobre a soberania da região, gerando reações adversas de parlamentares e do governo do Reino Unido.
Trump reiterou a posição no domingo, durante a visita a um torneio de golfe em seu resort na vila de Doonbeg. O presidente disse a repórteres que unir as duas partes parece ser um dos movimentos mais naturais de todos os tempos e que acredita que a unificação acabará acontecendo. Em conversa com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, Trump admitiu que o Reino Unido teria ressalvas, mas questionou como a medida poderia ser ruim.
A fala ocorre poucas semanas após o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, declarar que não há apoio público suficiente para a realização de um referendo sobre o futuro da Irlanda do Norte. Políticos britânicos reagiram às declarações do presidente americano argumentando que o território é parte indiscutível do Reino Unido. O secretário da Irlanda do Norte, Chris Bryant, publicou em redes sociais trechos do Acordo de Sexta-Feira Santa de 1998 para relembrar as normas constitucionais da região.
O primeiro-ministro Micheál Martin minimizou as declarações de Trump, afirmando que o líder americano adota uma perspectiva diferente sobre as coisas. Já a presidente do partido Sinn Féin, Mary Lou McDonald, disse que a conversa sobre a unidade irlandesa mudou e que cabe ao governo de Martin começar o planejamento. Claire Hanna, líder do Partido Social Democrático e Trabalhista, também acolheu o apoio do presidente dos EUA.
Aliados de Trump no Reino Unido também criticaram a fala. O líder do Reform UK, Nigel Farage, escreveu que a população da Irlanda do Norte não deseja unificação nem referendo. O parlamentar Rupert Lowe classificou as declarações como inaceitáveis e insultuosas, sugerindo que Trump estaria tentando prejudicar o governo trabalhista britânico após frustrações com a recusa do país em se envolver na guerra dos EUA contra o Irã.
Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador, comparou as falas de Trump a comentários anteriores sobre a Groenlândia e o Canadá, afirmando que esse tipo de discurso sobre o futuro de países democráticos é inútil e cria tensões desnecessárias. Questionado sobre a Escócia, Trump disse que preferia não falar sobre o assunto no momento.

