O governo de Donald Trump apresentou propostas para alterar as regras do censo dos Estados Unidos, prevendo a exclusão de pessoas que não sejam cidadãs ou não possuam residência permanente. A medida, que aguarda aprovação, pode impactar a distribuição de verbas federais e a representação política nos estados.
O documento divulgado nesta semana sugere que oficiais do censo sejam impedidos de incluir perguntas sobre raça, etnia e orientação sexual no questionário. A administração argumentou que a contagem deve ser “cega a cores” e que tais informações seriam características pessoais imateriais ou sensíveis, com baixa utilidade para a pesquisa nacional.
A proposta prevê a adição de uma pergunta específica sobre cidadania para excluir imigrantes indocumentados e não cidadãos sem status de residente permanente. Segundo o governo, esses grupos não devem ser incluídos na contagem de repartição por não serem “habitantes verdadeiros” ou não possuírem vínculo suficiente com os Estados Unidos.
A mudança altera a prática histórica do país, já que questões sobre raça e etnia constam no censo desde a primeira contagem, realizada em 1790. Especialistas da Federação de Cientistas Americanos afirmaram que a remoção desses dados impediria o governo de medir disparidades de saúde e direcionar programas de prevenção a comunidades vulneráveis.
Caso as alterações sejam aplicadas no censo de 2030, estados com maiores populações de imigrantes não autorizados teriam impacto desproporcional. A apuração indica que Califórnia, Texas, Flórida, Nova York, Nova Jersey e Illinois são as unidades mais afetadas, dado o volume de residentes nessas condições.
De acordo com dados do Pew Research Center de 2023, a Califórnia possuía 2,3 milhões de imigrantes não autorizados, seguida pelo Texas, com 2,1 milhões, e Flórida, com 1,6 milhão. A exclusão de centenas de milhares ou milhões de residentes pode resultar em perda de assentos na Câmara dos Representantes e cortes em repasses financeiros federais.


