As forças ucranianas entregaram 4 toneladas de alimentos por drone de carga à cidade de Oleshky, que está bloqueada há meses sob ocupação russa no sul do país, informaram as autoridades neste domingo (27/09). A Rússia mantém cerca de 6 mil pessoas na cidade, incluindo quase 200 crianças, afirmou o ministro ucraniano do Exterior, Andrii Sybiha.
Segundo Sybiha, os moradores estão “morrendo de fome e de frio” sob o “bloqueio total” das tropas russas. “As forças de ocupação não estão permitindo a passagem de ajuda humanitária. Estamos negociando uma evacuação há muito tempo e a Rússia não responde”, afirmou.
O Kremlin admitiu que Oleshky enfrenta problemas críticos com comida e suprimentos médicos, mas assegurou que seus militares estavam trabalhando para resolvê-los. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reconheceu a gravidade da situação no início da semana passada, mas acusou o exército ucraniano de impedir a entrega de alimentos por meio de ataques de drones. A Ucrânia, por sua vez, acusa a Rússia de usar os civis como escudo humano.
Em reportagem publicada neste domingo, o jornal The Guardian afirma que não se sabe quanto da comida entregue pela Ucrânia de fato chegou a seu destino ou foi interceptada por militares russos. Segundo a publicação, moradores estariam comendo ervas daninhas para não morrer de fome, e cadáveres estariam sendo abandonados nas ruas porque os moradores temem ser atingidos por drones.
Organizações humanitárias vêm alertando há muito tempo para a situação em Oleshky, localizada na margem sul do rio Dnipro. A capital regional, Kherson, controlada pela Ucrânia, fica a apenas 9 quilômetros de distância, mas a linha de frente passa entre as duas localidades. Após anos de bombardeios mútuos, a área ao redor está fortemente minada, tornando extremamente perigoso deixar a cidade em qualquer direção.
Segundo a ONU, a última loja fechou em janeiro e nenhum alimento chegou à cidade desde maio. O governador da região ucraniana de Kherson, Oleksandr Prokudin, afirmou que as forças de ocupação estavam maltratando moradores que tentavam recolher os lançamentos de ajuda humanitária enviados pela Ucrânia. “Eles são obrigados a sobreviver sem comida, eletricidade ou água”, escreveu no Telegram.
Na sexta-feira, Danielle Bell, chefe da missão da ONU de monitoramento dos direitos humanos na Ucrânia, declarou que não houve avanço na evacuação organizada discutida há vários meses nem em relação a um possível cessar-fogo local para permitir que os civis deixem a área. “Não temos informações sobre em que ponto ou por que as discussões foram interrompidas.”


