A União Europeia sinalizou ao governo brasileiro que as exportações de carne de frango e mel para o bloco, suspensas desde o início de setembro, devem ser retomadas em breve. A indicação foi dada nesta quarta-feira (30) pelo comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, em reunião com os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, em Milwaukee (EUA).
O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros do Comércio do G20. O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmaram em nota que o lado europeu fez referência ao resultado positivo da auditoria realizada há algumas semanas no Brasil.
Segundo a nota, a UE manifestou expectativa de que, após terminados os procedimentos burocráticos, as exportações brasileiras de carne de aves e mel para o bloco possam ser retomadas no curto prazo. O Brasil pediu que a carne bovina receba o mesmo tratamento.
“O lado brasileiro manifestou expectativa de que procedimento acelerado de autorização possa também ser alcançado para as exportações de carne bovina”, diz o texto.
O resultado da auditoria foi divulgado no início desta semana. A Comissão Europeia considerou satisfatório o sistema brasileiro de produção nas cadeias de aves e mel. Durante a fiscalização, as autoridades sanitárias constataram que o país proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais e aumentar o rendimento.
Com esse resultado, o Ministério da Agricultura pediu que o relatório seja incluído na pauta do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff, na sigla em inglês), instância da Comissão Europeia responsável pela decisão final. A reunião técnica está marcada para 20 e 21 de outubro.
A UE tirou o Brasil da lista de países que cumprem suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Com a medida, o Brasil está proibido desde 3 de setembro de exportar para os 27 países do bloco carne bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos.
Os ministros e o comissário europeu também discutiram as restrições da UE à importação de aço. Segundo a nota, o bloco está revisando a distribuição de cotas de produtos siderúrgicos, o que pode beneficiar o Brasil. O processo terá etapas adicionais em 2027.

