A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta-feira (16) que a União Europeia (UE) está abrindo caminho para que o Canadá se torne seu primeiro integrante associado. O status, porém, não está estabelecido nos tratados do bloco e faz parte de uma escolha estratégica para enfrentar a fragmentação do sistema internacional.
A declaração ocorreu durante o discurso sobre o Estado da União Europeia ao Parlamento Europeu. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, participou da primeira sessão plenária da entidade após o recesso de verão do hemisfério norte, a convite de Von der Leyen.
Segundo a presidente da Comissão Europeia, a parceria baseia-se em visões compartilhadas sobre inteligência artificial, mudanças climáticas, geopolítica e a região do Ártico. Von der Leyen citou a cooperação mútua em temas como a defesa, a guerra na Ucrânia, o acesso a matérias-primas e as cadeias de abastecimento.
O movimento ocorre enquanto o Canadá enfrenta tensões comerciais com os Estados Unidos. O governo americano impôs tarifas sobre importações canadenses, o que levou o Canadá a decretar tarifas retaliatórias.
No início da fala, Von der Leyen utilizou a obra “História em Duas Cidades”, de Charles Dickens, para descrever o momento atual da Europa como um período de “grandes oportunidades” e “grandes perigos”. Ela mencionou os desafios econômicos do continente, incluindo o aumento do custo de vida e a ameaça de tecnologias aos empregos.
A presidente afirmou que a Europa precisa ser forte e independente para defender seus valores em um mundo que classificou como “abertamente hostil”. Von der Leyen questionou se as democracias europeias permitiriam ser enfraquecidas por representantes de regimes autoritários.


