A aplicação de medicamentos para obesidade adquiridos via internet ou importados sem procedência tornou-se um problema de saúde pública. O uso indiscriminado de análogos de GLP-1 por adultos, adolescentes e crianças, sem diagnóstico ou prescrição médica, expõe os pacientes a riscos graves devido à ausência de controle de dose e pureza.
Substâncias sintéticas como a semaglutida, a liraglutida e a tirzepatida imitam hormônios intestinais para estimular a insulina, reduzir o apetite e aumentar a saciedade. Embora sejam tratamentos legítimos para a obesidade, doença crônica de base biológica, a banalização do uso para fins estéticos ignora as contraindicações e os efeitos adversos de cada fármaco.
A falta de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em produtos trazidos ilegalmente impede a garantia sobre a dose real e a pureza do conteúdo. Versões manipuladas vendidas sem controle apresentam a mesma falta de rastreabilidade, tornando o benefício da perda de peso insuficiente diante do risco à saúde.
A automedicação elimina a etapa do diagnóstico, essencial para ajustar a dose gradual e monitorar a resposta do organismo. Sem esse manejo, sintomas gastrointestinais, como náuseas e vômitos, ficam sem tratamento, enquanto quadros graves de pancreatite, infecções sistêmicas e hipoglicemia severa podem surgir devido a falhas na purificação da molécula.
A indicação formal para adultos consiste na obesidade associada a complicações relacionadas ao peso, sempre acompanhada de mudanças no estilo de vida. O uso não é indicado para perdas pontuais de peso por motivos estéticos.
Um parecer publicado no início de 2025 pelo The Lancet Diabetes & Endocrinology estabeleceu a distinção entre obesidade clínica, quando o excesso de gordura já compromete órgãos e atividades diárias, e a obesidade pré-clínica, onde há risco aumentado, mas sem disfunção instalada. Em ambos os casos, o acompanhamento médico é obrigatório.
Dados de estudos clínicos mostram a eficácia das substâncias: o programa STEP registrou perda média de 15% do peso corporal com a semaglutida, enquanto os estudos SURMOUNT chegaram a 20% com a tirzepatida.

