O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou, nesta terça-feira (15), a decisão sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O processo foi travado após pedido de vista do ministro Flávio Dino, enquanto usuários de redes sociais relacionavam a sessão a protestos ocorridos no Nepal em 2025.
O regimento da Corte permite que Flávio Dino devolva o processo em até 90 dias. Esse prazo abre a possibilidade de a análise ser concluída somente após as eleições de outubro. O plenário discutiu durante todo o dia se o julgamento ocorreria na data de hoje.
A sessão foi marcada por conflitos entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. Mendes propôs a análise de uma questão de ordem, alegando que Mendonça adotou procedimentos errados. Durante a discussão, os dois magistrados trocaram ofensas e se referiram mutuamente como levianos.
Sobre a questão de ordem proposta por Gilmar Mendes, três ministros votaram a favor: Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e o próprio Mendes. Quatro foram contra: André Mendonça, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux. Dias Toffoli e Nunes Marques não votaram por suspeição e impedimento, respectivamente.
No X, os termos “Nepal”, “Supremo” e “O STF” figuraram entre os assuntos mais comentados na tarde desta terça-feira. Publicações defendiam que mobilizações semelhantes às do país asiático fossem adotadas no Brasil como resposta ao que chamaram de impunidade, citando mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
As manifestações no Nepal, em 2025, derrubaram o governo do primeiro-ministro Khadga Prasad Oli após o bloqueio de redes sociais. Na ocasião, prédios governamentais e casas de políticos foram incendiados, e integrantes do governo foram agredidos pela multidão.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) questionou a repercussão do termo Nepal na rede social e incentivou a realização de atos contra Moraes. Em publicação, o parlamentar sugeriu que o Brasil deveria parar e ir às ruas na próxima sessão do STF.


