As ações da Vale (VALE3) fecharam esta terça-feira (29) em queda de 2,18%, a R$ 69,61, apagando os ganhos acumulados em 2026 e voltando ao campo negativo no ano. O papel acumula perda de 10,58% em setembro e recua 0,87% no acumulado de 2026, pressionado pela fraqueza do minério de ferro e por cortes de preço-alvo de bancos.
A mínima da sessão, de R$ 69,29, reforça a importância da região atual: é a partir dela que o mercado pode começar a mostrar se a correção está perto de perder força ou se ainda há espaço para uma nova etapa de baixa.
O minério de ferro voltou a rondar os US$ 94 por tonelada, enquanto as siderúrgicas chinesas enfrentam margens apertadas. Em relatório divulgado nesta terça-feira (29), o Bradesco BBI apontou o minério de 61% a US$ 94 por tonelada, US$ 3 abaixo da semana anterior. As margens domésticas de HRC e vergalhão permanecem negativas, e a utilização dos altos-fornos recuou para 88,5%.
Nos principais portos chineses, os estoques chegaram a 152,2 milhões de toneladas, 15% acima de um ano antes. As siderúrgicas elevaram seus estoques para o equivalente a 27 dias de consumo, em parte por causa das compras feitas antes dos feriados no país.
Em relatório de 29 de setembro, o UBS calcula que, com o minério perto de US$ 95 por tonelada, entre 100 milhões e 150 milhões de toneladas da oferta global já operam no breakeven ou com geração de caixa negativa. Segundo o banco, cerca de 90% da oferta global opera com custos abaixo de aproximadamente US$ 92 por tonelada.
Após reunião com a administração em 18 de setembro, o Bradesco BBI destacou que mais de 90% da exposição a combustível da companhia em 2026 estava protegida por hedge. O custo esperado de frete permanecia perto de US$ 20 por tonelada, contra aproximadamente US$ 43/t no mercado spot. Para 2027, cerca de 75% da frota já estava contratada por time-charter.
No gráfico semanal, VALE3 permanece dentro de um canal descendente e abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos. A região de R$ 69,29 tornou-se a primeira referência importante. Se esse nível for perdido de maneira consistente, a correção pode buscar inicialmente R$ 62,81. Do outro lado, a primeira melhora mais relevante exigiria a retomada da região de R$ 75,70.
O IFR de 14 períodos caiu para 25,41 pontos, entrando em região de sobrevenda. Ainda falta, porém, um sinal de reversão. VALE3 continua abaixo das médias de 9, 21 e 200 períodos, todas inclinadas para baixo. A média de 200 períodos, hoje perto de R$ 77,48, é uma primeira barreira relevante.


