O Vasco busca viabilizar o uso do Maracanã para a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, sob risco de ter que transferir a partida para o Estádio Nilton Santos. O clube está impedido de jogar em São Januário devido ao regulamento da Conmebol, que exige arenas com capacidade superior a 30 mil pessoas.
A gestão do Complexo Maracanã pertence à Fla-Flu Serviços S.A., consórcio formado por Flamengo e Fluminense, que detém o direito de operação do estádio por 20 anos. Embora o Governo do Estado do Rio de Janeiro seja o proprietário do patrimônio, a administração do calendário e a operação são responsabilidades da concessionária.
Um Memorando de Entendimentos firmado em abril de 2025 previa que o Vasco pudesse mandar até quatro jogos por ano no estádio em 2025 e 2026. No entanto, em agosto, o consórcio alegou que o acordo não possui validade por falta de assinatura formal. A disputa levou o clube a acionar a Justiça para tentar jogar contra o Vitória, pelas quartas de final da Copa do Brasil, mas o pedido foi negado.
Na ocasião, os administradores justificaram a negativa com a necessidade de recuperação do gramado e a falta de antecedência de 15 dias na solicitação. O Vasco também teve o pedido negado para a partida de volta das quartas de final da Sul-Americana contra o Santa Fe, realizada na última terça-feira.
O contrato entre o Estado e a concessionária proíbe a imposição de tratamento discriminatório ou sem critérios técnicos. Bernardo Marchesini, advogado especialista em direito empresarial, explicou que a subjetividade dos argumentos técnicos, como a condição do campo, faz com que o clube precise recorrer ao Judiciário para garantir o cumprimento do acordo.
A diretoria do Vasco planeja preparar uma nova ação judicial caso o consórcio negue novamente o uso do Maracanã para a semifinal. A provável classificação do Flamengo para as semifinais da Libertadores pode dificultar a liberação, já que o jogo ocorreria na mesma semana do duelo vascaíno.

