As vendas de apartamentos de alto padrão e luxo na cidade de São Paulo recuaram 39% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, apontado por pesquisa da Brain Inteligência Imobiliária, reflete a combinação de juros elevados, incertezas econômicas e um estoque crescente de imóveis.
A retração foi mais intensa no segundo trimestre, com queda de 53% nas vendas. Segundo Fábio Tadeu Araújo, presidente da consultoria Brain, o mercado atingiu um limite de absorção, já que o número de famílias com poder aquisitivo para esses imóveis é limitado. No segmento de luxo, o preço médio subiu 24% em um ano, atingindo R$ 10,8 milhões, enquanto no alto padrão o valor médio chegou a R$ 2,9 milhões, alta de 47%.
O analista do Citi, André Mazini, afirmou que a superoferta desgastou o discurso de exclusividade dos empreendimentos. A percepção de escassez, que costuma motivar a compra desse público, foi substituída por uma abundância de projetos em bairros como Jardins e Itaim. Mazini disse que o juro alto também desestimula o saque de aplicações financeiras para a compra de imóveis na planta.
Como resposta, incorporadoras reduziram o ritmo de novos projetos. A Even decidiu frear lançamentos devido aos juros e ao custo de insumos, relatando que o processo de negociação e assinatura de contratos agora leva, em média, 90 dias. A Benx também adotou postura conservadora, adiando a compra de alguns terrenos.
Apesar do cenário, algumas empresas reportam resultados positivos. A JHSF informou que mais da metade das unidades do Reserva Cidade Jardim, com preços na faixa de R$ 30 milhões, já foram vendidas. A Construtora Adolpho Lindenberg Filho vendeu 21 de 39 apartamentos em um único fim de semana de agosto em Moema, com preços a partir de R$ 14 milhões.
O estoque de imóveis de luxo e alto padrão corresponde a 18 meses de vendas, volume considerado razoável pela Brain. No entanto, dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) indicam que unidades acima de 180 m² possuem estoque para 21 meses, patamar superior à média histórica de 12 a 13 meses para o segmento.

