O ex-banqueiro Daniel Vorcaro organizou um almoço VIP para o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em Campos do Jordão (SP), em 30 de dezembro de 2023, com vinhos caros, caviar e vieiras, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do empresário. As conversas revelam que Vorcaro orientou o chef a não mencionar seu nome para evitar constrangimento ao magistrado.
Em conversas com o chef de cozinha José Maria Meira, obtidas pela PF e reveladas pela imprensa, Vorcaro tratou Moraes como seu “convidado mais importante até hoje”. O almoço ocorreu no hotel Six Senses Botanique e durou cerca de quatro horas. Vorcaro não participou da recepção, mas definiu a escolha dos vinhos e aprovou o menu, que incluiu latas de caviar, vieiras com ovas de salmão, ovo trufado, foie gras com banana, carne dry aged, wagyu e trufas.
O ex-dono do Banco Master avisou o chef sobre a agenda com Moraes três dias antes. Ele sugeriu cinco garrafas, priorizando rótulos mais antigos de sua adega, como La Tâche, Haut-Brion, Château Mouton Rothschild e Château Cheval Blanc, que podem custar dezenas de milhares de reais por unidade. Vorcaro também orientou que os vinhos não consumidos fossem presenteados ao ministro.
Nas mensagens, Vorcaro pediu que seu nome não fosse citado: “Outra coisa, evitar falar nome, até o meu, pra não constranger o convidado principal. Só se ele perguntar algo de mim aí pode falar normalmente. Mas, caso contrário, deixa o momento ser algo como se fosse dele perante os demais convidados. Assim, evita constrangê-lo”.
Ao final do almoço, o chef tirou uma foto com o ministro, o que desagradou Vorcaro. Segundo um funcionário do empresário, Meira teria dito que “não podia falar ‘não’ para o ministro”. Vorcaro respondeu: “Mas se o ministro que pediu tudo bem. Menos mal”.
Em janeiro de 2024, um mês após o almoço, Vorcaro firmou contrato com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes. O acordo previa R$ 131 milhões em três anos por serviços de “consultoria estratégica”. O escritório afirmou, em nota, que seu compliance solicitou informações ao ministro sobre eventuais impedimentos legais para a contratação, como ações em sua relatoria ou participação em julgamentos de interesse do cliente.


