O sepultamento da professora, pesquisadora e ativista Zélia Amador de Deus acontece nesta quarta-feira (9), às 17h, no Cemitério Recanto da Saudade, em Belém. O velório ocorre no Teatro Experimental Waldemar Henrique, reunindo familiares, estudantes e representantes de movimentos negros e instituições acadêmicas.
A educadora morreu na última terça-feira (8), aos 74 anos. Em função do falecimento, a Governadora Hana e o prefeito de Belém, Igor Normando, manifestaram pesar, e o Governo do Estado do Pará decretou luto oficial de três dias.
A Universidade Federal do Pará (UFPA), onde Zélia atuou por mais de cinco décadas, também estabeleceu luto oficial por três dias. A professora, que recebeu o título de Professora Emérita, foi vice-reitora da instituição entre 1993 e 1997 e atuou na criação de políticas de ações afirmativas e inclusão racial.
Zélia Amador foi fundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), criado em 1980. Sua trajetória incluiu a defesa dos direitos de comunidades quilombolas e a ampliação do acesso da população negra ao ensino superior. Em 2026, recebeu a Medalha Josildeth Gomes Consorte, da Associação Brasileira de Antropologia, por sua contribuição no enfrentamento ao racismo.
A despedida ocorre semanas após o plantio de um baobá no Campus Guamá, realizado em 18 de agosto, como símbolo de ancestralidade e resistência. A UFPA utilizou a árvore para representar a permanência do legado da professora.
Além da carreira acadêmica, Zélia atuou como atriz, diretora de teatro e escritora. No campo cultural, participou da criação do Auto do Círio, manifestação que integra arte e religiosidade nas ruas de Belém durante o Círio de Nazaré. A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) também publicou nota de pesar, classificando-a como referência incontornável da cultura afro-brasileira.

