O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, anunciou neste sábado (10) que as eleições presidenciais e legislativas serão realizadas em 11 de setembro de 2027, adiando em quase um ano o pleito legislativo, que estava previsto para 28 de novembro de 2026. As presidenciais eram esperadas para o início de 2027. Abbas, de 90 anos, governa por decretos desde 2009.
A mudança de calendário foi justificada pela presidência palestina como resposta aos “obstáculos impostos pelas medidas israelenses”, que impedem a organização do pleito na data prevista. Também citou a necessidade de criar condições políticas, de segurança e logísticas adequadas para garantir eleições “livres, justas e inclusivas”.
Autoridades palestinas afirmaram nesta semana que Israel impedia o acesso de coordenadores eleitorais a Jerusalém Oriental e à Faixa de Gaza.
Na quarta-feira (7), quatro facções palestinas, entre elas o Fatah, partido de Abbas, e o Hamas, concordaram em iniciar um “diálogo nacional” durante reunião no Cairo. Segundo uma fonte próxima às negociações, as facções também solicitaram o adiamento da votação.
O ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, acusou na sexta-feira (9) a Autoridade Nacional Palestina de “enganar a comunidade internacional” ao preparar o adiamento.
Abbas venceu a última eleição presidencial palestina em 2005, com mandato de quatro anos que deveria ter terminado em 2009. Desde então, nenhum pleito presidencial foi realizado, e ele passou a governar por decretos, o que provoca críticas internas e externas.
Esta não é a primeira vez que eleições palestinas são canceladas. Em 2021, Abbas convocou eleições legislativas e presidenciais, adiadas sob a alegação de falta de garantias para sua realização em Jerusalém Oriental, anexada por Israel. As últimas eleições legislativas, em 2006, foram vencidas pelo Hamas, que governa Gaza, enquanto o Fatah controla a Autoridade Nacional Palestina, que administra partes da Cisjordânia ocupada. Desde a ruptura entre os movimentos em 2007, o Conselho Legislativo Palestino não voltou a se reunir.


