A abstenção nas eleições presidenciais pode aumentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A possibilidade foi levantada pelo cientista político Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data, durante participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta sexta-feira (16). Segundo ele, a ausência de eleições para governador em parte dos estados pode produzir o efeito contrário ao esperado.
“Tem muita gente falando da redução da abstenção, mas isso pode chegar a ter um aumento”, afirmou Soller. O primeiro turno registrou 33,4 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi o maior índice de abstenção em um primeiro turno presidencial desde 1998.
O cientista político citou o Ceará como exemplo da influência das eleições estaduais sobre o comparecimento. No primeiro turno, o estado registrou abstenção próxima de 17%, em meio a uma disputa pelo governo que mobilizou o eleitorado. O encerramento dessas disputas pode diminuir o interesse de parte dos eleitores em retornar às urnas apenas para escolher o presidente.
Ele ponderou, porém, que não espera uma mudança expressiva no índice nacional de abstenção. “Eu acredito que, para mais ou para menos, a gente vai variar muito pouco na questão da abstenção. Até porque isso é um histórico no Brasil”, disse. Na eleição presidencial de 2022, a abstenção caiu de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma redução de aproximadamente 0,36 ponto percentual.
O comparecimento às urnas é uma das variáveis acompanhadas pelas campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na última semana antes da votação. Soller afirma que, além dos eleitores dos candidatos eliminados, o comportamento de quem não votou no primeiro turno pode alterar a composição do eleitorado que comparecerá às urnas no dia 25.
O cientista político também destacou que a transferência direta de votos entre Lula e Flávio tem sido pequena nos monitoramentos realizados pela Real Time Big Data. Segundo ele, entre 94% e 95% dos eleitores que declararam ter escolhido um dos dois candidatos em 4 de outubro pretendem manter o voto. Os dados fazem parte de levantamentos internos do instituto, não divulgados como pesquisa eleitoral pública.


