Agentes federais dos Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira (12/10) uma operação de busca na residência da deputada democrata Ilhan Omar, crítica declarada do presidente Donald Trump. O Departamento de Justiça informou que a ação faz parte de uma investigação em andamento e que um mandado foi cumprido pela divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI), sem dar detalhes.
O HSI é uma divisão do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). A ação, acrescentou o departamento, foi autorizada judicialmente. As buscas ocorrem nas semanas finais da campanha de Omar, de 44 anos, que busca um quinto mandato de dois anos na Câmara dos Representantes nas eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
Uma fonte próxima à investigação afirmou à imprensa que o caso estaria relacionado a uma suposta fraude imigratória. Parte da apuração diz respeito à documentação de imigração da parlamentar, nascida na Somália, preenchida por seu pai quando ela ainda era criança.
Omar classificou a busca como uma tentativa de atacar adversários políticos e instrumentalizar as forças de segurança federais. “Essa operação do DHS de Trump é um abuso de poder ultrajante e uma escalada sem precedentes na instrumentalização das forças de segurança federais para atacar adversários políticos”, afirmou Jacklyn Rogers, porta-voz da deputada, em comunicado.
“Há uma década, Donald Trump ataca implacavelmente a deputada Ilhan Omar com retórica incendiária, colocando repetidamente um alvo em suas costas. Agora, esses ataques evoluíram para uma operação federal sem sentido. A deputada não cometeu nenhuma irregularidade”, disse Rogers. “Não serei silenciada”, afirmou Omar.
Trump e outros membros do alto escalão do Partido Republicano atacam repetidamente Omar por sua condição de imigrante e por suas opiniões progressistas. No último fim de semana, o presidente mencionou a deputada em um comício no Tennessee, onde atacou sua origem e insinuou que o vice-presidente J.D. Vance e “nosso pessoal” a estavam investigando.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, nomeado por Trump, disse no mês passado que “algo vai acontecer” em relação à investigação sobre a entrada da família de Omar nos EUA. “Se conseguirmos provar que você não deveria estar aqui desde o início, nós a deportaremos”, afirmou Mullin a um podcast conservador.
Líderes democratas da Câmara condenaram a operação como abuso de poder. “Durante anos, Donald Trump e extremistas de direita têm visado implacavelmente a deputada Omar com ataques pessoais vis e acusações infundadas. Agora, a menos de 30 dias das eleições de meio de mandato, sua violenta máquina de deportação em massa se voltou contra a casa de uma integrante do Congresso devidamente eleita e de sua família”, disseram em comunicado.

