O cientista político Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data, afirmou nesta sexta-feira (16) que Flávio Bolsonaro (PL) é o “virtual presidente da República”. A avaliação considera o resultado do primeiro turno, a transferência de votos dos candidatos eliminados e o comportamento do eleitorado nos monitoramentos do instituto. Flávio terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos, segundo o TSE.
Em entrevista ao programa Mapa de Risco, do InfoMoney, Soller disse que uma mudança no cenário dependeria de uma combinação de fatores que ainda não aparece nos monitoramentos. “Eu tenho brincado e falado: olha, o Flávio Bolsonaro é virtual presidente da República. Para mudar esse cenário, só uma coisa muito fora do normal que pode acontecer”, afirmou.
O cientista político explicou que a vantagem de Flávio precisa ser analisada em conjunto com o perfil dos eleitores que escolheram outros candidatos em 4 de outubro. Na avaliação dele, os votos de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) têm maior afinidade com Flávio, enquanto os de Augusto Cury (Avante) se dividem de forma mais equilibrada.
Segundo os cálculos apresentados por Soller, Lula precisaria conquistar aproximadamente 65% dos votos dados aos candidatos eliminados para reverter a diferença, caso os eleitores dos dois finalistas mantenham suas escolhas. “Essa é a grande dificuldade porque o eleitor do Caiado tem uma tendência maior de ir para o Flávio. O eleitor do Renan tem uma tendência maior de ir para o Flávio. O eleitor do Zema tem uma tendência maior de ir para o Flávio. E o do Augusto Cury se divide”, afirmou.
O instituto realiza um acompanhamento diário com cerca de 400 entrevistas por dia. Entre 94% e 95% dos eleitores que declararam ter votado em Lula ou Flávio pretendem manter a escolha no segundo turno. A migração direta de votos entre os dois candidatos estaria limitada a aproximadamente 1% a 1,5% dos respectivos eleitorados. Soller ressaltou que esses monitoramentos são produzidos para clientes e não constituem uma pesquisa nacional divulgada publicamente.
Apesar da avaliação de Soller, os levantamentos públicos mais recentes apontam disputa dentro da margem de erro. O Datafolha divulgado na quinta-feira (15) mostrou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. A pesquisa ouviu 2.520 eleitores entre os dias 13 e 14 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais. Já o PoderData divulgado nesta sexta-feira (16) registrou empate de 50% a 50% nos votos válidos, com 3 mil entrevistas entre os dias 13 e 15 de outubro e margem de erro de 1,8 ponto percentual.
Soller reconheceu que acontecimentos da reta final, incluindo os debates presidenciais, podem alterar o comportamento dos eleitores. A declaração sobre Flávio ser o “virtual presidente” representa uma interpretação dos dados disponíveis, e não uma antecipação do resultado das urnas.


