A arqueóloga Tânia Andrade Lima, responsável pela descoberta do Cais do Valongo, foi baleada na tarde desta quinta-feira (15) durante uma tentativa de assalto no Leblon, Zona Sul do Rio. Ela levou três tiros após sair de um banco na Rua General Venâncio Flores e já deixou o hospital.
Tânia, de 76 anos, foi atingida no pescoço e no ombro, sem gravidade, e na mão, que inspirava mais cuidados. Ela foi levada ao Hospital Miguel Couto, mas deixou a unidade com familiares, que optaram por transferi-la para um hospital conveniado ao plano de saúde.
Pesquisadora sênior do CNPq e professora aposentada do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ, Tânia fundou e coordenou o Programa de Pós-Graduação em Arqueologia da instituição. Foi ela quem descobriu o Cais do Valongo, construído em 1811 na Zona Portuária, entre as atuais ruas Coelho e Castro e Sacadura Cabral.
O cais serviu de desembarque e comércio de africanos escravizados até 1831, quando foi desativado com a proibição do tráfico transatlântico pela Inglaterra. Em 1843, virou Cais da Imperatriz ao receber a princesa Teresa Cristina. Em 2017, o local recebeu o título de Patrimônio Mundial da Unesco, por ser o único vestígio material da chegada de africanos escravizados na América.
Em 2023, Tânia foi a segunda mulher brasileira a receber o prêmio Hypatia Award. Ela também tem a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, de 2006, e o Prêmio Globo Faz Diferença, na categoria Rio, de 2016.
O Museu Nacional divulgou nota de solidariedade. “Lamentamos que esse episódio terrível tenha ocorrido justamente no Dia dos Professores, dedicado à valorização desses profissionais tão especiais e imprescindíveis em nossa sociedade, como Tânia Andrade Lima”, diz o texto, que também cita a “dedicação da professora ao longo de décadas de serviços prestados à instituição”.

