O Arquivo Nacional e o Museu da Imagem e do Som (MIS) lançaram campanhas para receber doações de videocassetes e DVDs, com o objetivo de preservar a memória do audiovisual. A adesão do público surpreendeu: o MIS já arrecadou cerca de 500 títulos, e o Arquivo Nacional recebeu mais de 300 ofertas de equipamentos.
O presidente da Fundação MIS, Cesar Miranda Ribeiro, afirmou que as pessoas querem se desfazer desse material que têm em casa, muitas vezes sem saber o que fazer com ele, e acabam jogando fora. A instituição recebe os DVDs na sede da Lapa, na Rua Visconde de Maranguape 15, e os incorpora à coleção que pertencia ao ator José Wilker (1944-2014), doada ao museu há dois anos, com mais de 4.500 filmes nacionais e estrangeiros.
Os discos doados passam por curadoria. Os que estiverem em duplicata serão distribuídos para instituições no interior. A campanha faz parte da revitalização da Sala Glauber Rocha, no prédio da Praça Quinze, onde são exibidos clássicos do cinema em sessões gratuitas. Para assistir aos filmes em DVD, também sem custo, basta marcar horário no site do MIS.
O Arquivo Nacional, por sua vez, pediu doações de videocassetes porque seus equipamentos pararam de funcionar quase ao mesmo tempo, em maio. Segundo Cadu Marconi, chefe do Serviço de Reformatação de Documentos Audiovisuais e Sonoros, os aparelhos são necessários para digitalizar o conteúdo dos acervos em formato VHS. A instituição recorreu à campanha devido à dificuldade jurídica para adquirir equipamentos de segunda mão.
A campanha do Arquivo Nacional, que vai até meados de novembro, já recebeu mais de 300 ofertas vindas de todas as regiões do país. Devido à distância, a instituição conseguiu buscar ou receber até agora cerca de cem equipamentos de doadores do Rio. Eles passarão por revisão do técnico Hamilton Alves para serem colocados em funcionamento. Os que não tiverem conserto serão submetidos ao processo de canibalização, com peças retiradas para reaproveitamento.
O acervo que precisa ser digitalizado é composto por cerca de dez mil fitas com filmagens produzidas por pessoas físicas e instituições públicas e privadas, cobrindo diversos aspectos da sociedade brasileira nos anos 1980 e 1990, época em que o formato VHS viveu o seu auge. Há também muitas imagens de greves, de eventos religiosos e esportivos e até mesmo do cotidiano doméstico, que são importantes como retrato de uma época.
Marconi comemorou o sucesso da campanha, afirmando que muitas famílias ainda guardam esses aparelhos em quartinhos e cantos de suas casas, procurando algum fim útil para eles. Ele planeja mapear instituições pelo Brasil que precisem desses equipamentos para destinar o excedente. O encerramento da campanha será em 18 de novembro, durante o festival Arquivo em Cartaz, com uma mesa de debates dedicada à velha mídia, com o tema “O futuro do passado magnético: memórias em VHS”.

