Uma sequência de ataques com drones contra navios cargueiros no Mar Negro, ao largo das costas de Romênia e Bulgária, elevou o temor de que a Rússia busque uma escalada calculada para testar a disposição da Otan em sustentar a Ucrânia. Ao menos sete embarcações foram atingidas, com duas mortes confirmadas e 25 desaparecidos.
Os incidentes ocorreram nas zonas econômicas exclusivas dos dois países, ambos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ameaçando uma rota marítima global importante. Nos casos mais recentes, incêndios atingiram dois navios após ataques de drones na quarta e na quinta-feira, um deles em águas territoriais romenas.
Em Bruxelas, o presidente da Romênia, Nicusor Dan, disse que “dois drones” atingiram as embarcações, sem atribuir responsabilidade, mas advertiu que “haverá uma reação do Estado romeno”. O primeiro-ministro da Bulgária, Rumen Radev, afirmou ao Parlamento que não faria sentido a Ucrânia atacar navios ligados às próprias exportações e que o resultado favorece a Rússia, embora tenha admitido que não há prova conclusiva.
Os ataques reacenderam o debate sobre os limites do Artigo 5, a cláusula de defesa coletiva da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, disse na quinta-feira que se reuniu com Radev e Nicusor Dan para discutir a segurança no Mar Negro. Rutte afirmou que a organização reforçou sua postura na fronteira leste, inclusive com mais capacidade de defesa contra drones.
O analista romeno de defesa Radu Tudor afirmou que é incerto se ataques em zonas econômicas exclusivas entram no escopo típico de uma reação do Artigo 5, já que não se trata necessariamente de território soberano. Para ele, isso indicaria que a Otan tem sido lenta para reagir num cenário em que incidentes se multiplicam.
Uma fonte do setor de defesa romeno, sem autorização para falar publicamente, disse acreditar que os ataques visam prejudicar economicamente a Ucrânia e que “a Romênia não é o alvo agora”. A mesma fonte afirmou ter ouvido que a Turquia gostaria de convocar países litorâneos para planejar uma missão de escolta de comboios, mas ressaltou riscos e dificuldades.
O Ministério da Defesa búlgaro disse que o país planeja aderir até o fim de outubro ao projeto Drone Edge da Otan, com meta de investir mais de US$ 40 bilhões em capacidades antidrones nos próximos cinco anos. Em julho, Romênia, Bulgária e Turquia ampliaram o pacto naval da Força-Tarefa de Contramedidas de Minas no Mar Negro.


