O Baile Charme do Viaduto de Madureira, um dos movimentos culturais mais tradicionais da Zona Norte do Rio, ganha um novo endereço temporário na Zona Sul. No próximo sábado (17), o Parque Garota de Ipanema, no Arpoador, recebe a primeira edição do Rio Cheio de Charme, com DJs residentes, dançarinos e a atmosfera do baile original, além do convidado Corello DJ.
A programação terá ainda uma segunda edição no parque, em 29 de novembro, com DJ Saddam. Nos dois dias, o evento acontece das 16h às 22h. A expectativa é reunir cerca de 1.500 pessoas, entre quem já conhece os bailes e quem pode descobrir a programação durante um passeio.
A idealizadora do projeto, Gabriela Haber, conta que a iniciativa surgiu depois de levar pessoas da Zona Sul para conhecer o universo do charme em Madureira e perceber o impacto causado pela experiência. “A Zona Sul não vai até Madureira, então estamos tentando trazer esse universo para cá. Não é a mesma coisa, mas estamos tentando fazer essa ponte”, afirma.
O Arpoador foi escolhido pela facilidade de acesso, pela proximidade com o metrô e pelo movimento natural do local, que já recebe um público diverso durante o dia. “Muita gente talvez nem saiba do evento, mas vai acabar passando, curtindo, ouvindo a música e aproveitando para se arriscar um pouquinho nos passos”, diz Gabriela.
A dança será uma das portas de entrada para quem nunca frequentou um baile charme. Além dos DJs e dançarinos, haverá uma oficina para ensinar os passinhos. DJ Michell, residente do Baile Charme do Viaduto, avalia que os DJs do Viaduto têm muita experiência e diversificam o repertório entre as décadas importantes da black music. “É uma forma de levar essa experiência para outro território sem perder a essência do que acontece lá”, diz.
Na primeira edição, o convidado especial é Corello DJ, pioneiro dos bailes black e nome fundamental na construção do charme carioca. Com mais de quatro décadas de carreira, ele pretende percorrer diferentes períodos da black music e trabalhar com a memória afetiva de várias gerações. “Quero que o público se surpreenda. Tem clássicos que as pessoas não sabem que são charme. No meu set eu vou percorrer o caminho entre a pista e a memória afetiva. Sou um sommelier de emoções”, adianta.
Corello cita artistas e sonoridades que atravessaram diferentes gerações e promete uma seleção que vai além dos hits mais conhecidos. “Alguns hits que são desconhecidos para o público da Zona Sul são um outro mundo que eles vão conhecer. Tem George Michael, tem soul, tem muita história para contar”, diz. Ele também defende que a edição na Zona Sul não tente simplesmente reproduzir o Baile do Viaduto. “Eu sou o criador do charme. O que está acontecendo agora é a black music chegando à Zona Sul e ganhando força, e isso é muito bom”, acredita.
A segunda edição, em novembro, terá como convidado DJ Saddam, nome conhecido pela trajetória na black music e pela relação construída com a Zona Sul. Radicado na região, ele já tocou em centenas de estabelecimentos da Região Metropolitana e criou o Baile do Saddam. “É a concretização de um trabalho que eu já vinha fazendo há bastante tempo: trazer o som da Zona Norte para a Zona Sul e trazer essa cultura do charme”, diz. Para Gabriela, a ocupação do Arpoador pode ser apenas o primeiro passo. “Eu ficaria muito feliz se quem for ao Arpoador conseguir levar mais gente para o viaduto. É um programa que todo mundo tem que fazer uma vez na vida”, afirma.

