O dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do Banco da França, Emmanuel Moulin, afirmou nesta quarta-feira que a recente e forte alta dos rendimentos dos títulos públicos está funcionando como um freio para a economia. A declaração foi feita durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Bangcoc.
Moulin observou que as condições financeiras vêm se apertando porque os juros subiram especialmente no “lado longo” da curva, isto é, nas taxas de vencimentos mais longos, que influenciam o custo de financiamento de governos, empresas e famílias.
O dirigente evitou comentar diretamente as expectativas do mercado sobre o rumo das taxas de juros do BCE, ressaltando que o banco central está olhando principalmente para os indicadores econômicos e para o comportamento dos mercados financeiros. As decisões de política monetária estão sendo tomadas a cada reunião, com forte dependência dos dados que chegam.
Apesar desse ambiente, Moulin se mostrou relativamente confiante de que o governo francês pode realizar uma consolidação fiscal relevante nos próximos anos. Ele reconheceu que a venda de títulos do governo francês se intensificou neste mês, empurrando os custos de captação de longo prazo para perto dos níveis mais altos em décadas.
Investidores temem um quadro de paralisia política que dificulte o controle dos gastos públicos, mantendo viva a preocupação de que o país caminha para uma “espiral” de endividamento. Mesmo com discussões sobre forçar cortes de gastos no Parlamento, os receios não teriam sido totalmente dissipados.
Moulin argumentou que a França já conseguiu reduzir déficits de forma significativa no passado e que, embora rendimentos mais altos estejam elevando os custos de serviço da dívida, ainda é “totalmente possível” fazer um ajuste desse tipo sem depender excessivamente de um crescimento muito forte. Para ele, a chave é que o plano seja consistente e sustentado.
Em comentário separado, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, reforçou que levará tempo até que a França reduza déficit e dívida a níveis que transmitam confiança plena ao mercado, mas afirmou permanecer otimista de que o país apresentará um orçamento que coloque as contas públicas em trajetória descendente.


