O projeto executivo da Biblioteca dos Saberes, assinado pelo arquiteto burquinense Francis Kéré, vencedor do Prêmio Pritzker, avança no Rio de Janeiro. A estrutura, que ocupará cerca de 40 mil metros quadrados no Terreirão do Samba, deve ter os primeiros passos concretos após o carnaval de 2027, com a derrubada do Elevado Trinta e Um de Março.
Concebida para ser a estrela do Praça Onze Maravilha, plano de requalificação urbana que vai do Catumbi ao Santo Cristo, a biblioteca terá a Árvore do Conhecimento como peça central. A estrutura monumental, com forma vazada, permitirá ventilação e entrada de luz solar, funcionando como um ponto de referência para quem passa.
— A luz tem muitos, muitos significados no meu trabalho. É uma fonte de energia, mas também pode ser percebida como algo espiritual. Em muitas culturas vemos que a luz é celebrada — disse Kéré, na semana passada, após participar de evento na CASACOR Rio no Palácio Capanema, durante a Semana de Arte do Rio.
Além do acervo de livros, o espaço terá áreas de convivência, exposições, cursos, palestras, teatro e música. O arquiteto e urbanista Miguel Pinto Guimarães, cujo escritório foi escolhido como parceiro local, explica que a biblioteca vai se conectar ao Sambódromo por meio de uma praça, após a derrubada do viaduto.
— A relação é importante porque precisamos tratar as costas do Sambódromo, que sempre ficaram escondidas, principalmente ali no setor ímpar, em paralelo ao viaduto — afirmou Guimarães.
Na cor, o projeto se diferencia do Sambódromo: Kéré escolheu tons que remetem ao barro e ao chão, com referências ao pau-brasil e ao manto Tupinambá. Na semana passada, o arquiteto e sua equipe passaram três dias de trabalho conjunto no Rio para acelerar o cronograma.

